Com blocos em alta, paulistanos decidem passar o Carnaval na cidade

Por blog alalaô

JAIRO MARQUES
LÍGIA MESQUITA
DE SÃO PAULO

“Antes ficava em São Paulo quem não gostava de Carnaval. Agora, também fica quem adora”, diz a administradora Priscila Ferreira, 33, em seu segundo ano seguido de folia na capital paulista.

Com a profissionalização e o aumento do número de blocos –são 300 inscritos neste ano, contra 200 em 2014–, ela e outros moradores da cidade decidiram aproveitar a festa na cidade em vez de viajar.

Quem abraçou a causa “existe Carnaval em SP” faz questão de frisar: foi por vontade própria, não por falta de opção ou economia.

“Ano passado fiquei aqui sozinho porque toda a turma viajou. Desta vez, todos meus grandes amigos vão ficar. É o Carnaval da virada, vai marcar a entrada de São Paulo no circuito carnavalesco”, diz o publicitário Felipe Ávila, 33.

Para ele, contribuiu para o interesse pela folia na cidade a onda de eventos de rua e de movimentos de ocupação do espaço público –como festas em praças e o ativismo pela criação do parque Augusta.

A produtora cultural Raquel Borges, 35, também escolheu ficar em São Paulo. “O bom é que, além dos blocos, dá para aproveitar a programação cultural da cidade.”

Para a prefeitura, em dois ou três anos a folia de rua da cidade poderá disputar com Rio e Salvador o título de maior festa de blocos do país, com até 500 grupos na rua.

“Se São Paulo era tida como túmulo do samba, provamos o contrário”, disse o prefeito Fernando Haddad (PT) no Anhembi na de sexta (13).

Apesar do crescimento, porém, o Carnaval de rua paulistano não atrai tantos turistas como cidades com festas mais tradicionais. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis espera que isso ocorra em cerca de dois anos.

Por enquanto, neste ano, a ocupação dos hotéis na capital paulista ficou em 47%, estima a entidade.

PLANILHA 

Morador de São Paulo desde que nasceu, o publicitário Mauricio Granado, 31, decidiu, pela primeira vez, passar a festa na cidade.

Criou uma planilha de Excel com a programação e pretende festejar todos os dias.

“De uns dois anos pra cá rolou uma `gourmetização’ dos blocos, vieram alguns do Rio, muito profissionais, e isso animou muito o Carnaval paulista”, diz.