DO RIO
Após 13 anos sem vencer, a Mangueira é a campeã do Carnaval do Rio em 2016.
É o 19º título da escola do Morro da Mangueira, no centro do Rio, que não vencia desde 2002 e é a segunda maior campeã do Carnaval carioca. A Portela ainda é a maior vencedora, com 21 títulos.
Com 269,8 pontos de 270 possíveis, a Mangueira superou por apenas um décimo Unidos da Tijuca e Portela, que ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, ambas com 269,7 pontos.
“É muita emoção ser a campeã entre tantas escolas tão lindas. Não sou só eu, são 4.000 mãos. Tem que ter as escolas tradicionais no pódio sempre”, disse Júnior Schall, diretor de carnaval da Mangueira, aos prantos.
Última a desfilar, na segunda-feira (8), a escola cantou a vida e a carreira de Maria Bethânia. O desfile homenageou o orixá da cantora, Iansã, e refletiu o sincretismo religioso, com carros dedicados a Oyá e um altar de devoção católica.
O samba rápido e de refrão fácil foi pescado rápido pela plateia, que cantou junto.
Participaram do desfile o irmão da cantora, Caetano Veloso, além do cineasta Andrucha Waddington, Adriana Calcanhotto, Zélia Duncan, Paula Lavigne, Ana Carolina, Renata Sorrah e outros artistas.
APURAÇÃO
No primeiro quesito da apuração –samba-enredo– sete escolas saíram na frente, ao conseguir somar trinta pontos (três notas dez): Beija-flor, Unidos da Tijuca, Vila Isabel, Salgueiro, Portela, Imperatriz e Mangueira.
Críticos já apontavam a disputa deste ano como das mais difíceis, visto que houve uma profusão de sambas marcantes e desfiles sem erros. Nenhuma escola perdeu pontos por descumprir o regulamento.
A disputa foi acirrada e desde o início quatro escolas disputavam décimos. Salgueiro e Mangueira se revezavam no topo da colocação.
As notas do segundo quesito –enredo– mostraram que, embora as escolas tenham conseguido representar na avenida as suas escolhas, alguns temas não agradaram.
Apenas Mangueira, que homenageou Maria Bethânia, Salgueiro, os malandros, e Vila Isabel, sobre Miguel Arraes, somaram 30 pontos no quesito enredo.
As comissões de frente que mais agradaram os juízes foram as da Beija-Flor, Grande Rio, Unidos da Tijuca e Salgueiro. Nas fantasias, destacaram-se a Unidos da Tijuca, São Clemente, da carnavalesca Rosa Magalhães, e Portela.
A Portela, que tinha ficado para trás em enredo, se recuperou com as fantasias desenvolvidas pelo carnavalesco Paulo Barros.
Ao final do quinto quesito, mestre-sala e porta-bandeira, quatro escolas estavam empatadas no primeiro lugar: Tijuca, Salgueiro, Portela e Mangueira. Somente após a apuração do sexto quesito, harmonia, a disputa ficou acirrada entre Salgueiro e Mangueira, empatadas em pontos.
Seis escolas empataram no quesito harmonia, o que não mudou a classificação geral. Ao final da evolução, que verifica a passagem da escola na avenida, Mangueira passou na frente de Salgueiro.
O quesito bateria teve um problema. Um dos julgadores não apareceu. Foi considerada, então, a nota mais alta dos outros três jurados. A nota mais baixa, como manda o regulamento, foi descartada.
Mangueira e Salgueiro seguiram empatados até o último quesito, alegorias e adereços, que definiu a escola vencedora. Ao final do penúltimo quesito, bateria, Tijuca e Portela estavam a apenas um décimo dos líderes.
A apuração foi tranquila. A ordem de leitura dos quesitos, definida por sorteio, foi: samba-enredo, enredo, comissão de frente, fantasias, mestre-sala e porta-bandeira, harmonia, evolução, bateria, e alegorias e adereços.
Alegoria e adereços foi o quesito usado para o desempate entre as agremiações que obtiveram a mesma pontuação.
Foi rebaixada para o Grupo de Acesso a escola Estácio de Sá com 265 pontos.
COMO FOI O DESFILE
No primeiro dia de desfiles, no domingo (7), Beija-Flor de Nilópolis e Mocidade Independente de Padre Miguel dividiram a preferência do público.
Atual campeã, a Beija-Flor contou a história do marquês de Sapucaí. Carros alegóricos dourados e componentes animados marcaram a apresentação.
Sem vencer desde 1996, a Mocidade falou sobre a crise política e trouxe um Dom Quixote gigantesco para a avenida.
Grande Rio e Unidos da Tijuca fizeram apresentações corretas, mas sem empolgar o Sambódromo.
Na segunda-feira (8), Salgueiro, Portela e Mangueira despontaram como favoritas.
Salgueiro levou para a avenida a “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque. O samba empolgou a arquibancada.
Com um enredo sobre viagens –desde a “Odisseia” de Homero até as viagens de Gulliver–, Portela deixou a Praça da Apoteose ouvindo gritos de “É campeã!”.
ACESSO