Barbudos colam glitter nos pelos e fazem sucesso nos blocos em SP

Por blog alalaô

JULIANA GRAGNANI
DE SÃO PAULO

Quando beija, passa de um rosto para o outro. Mas é inofensivo e sai com água e sabão, supostamente. Neste Carnaval, os homens barbudos (principalmente os hipsters, aqueles modernos) investiram no glitter para adornar o pelo.

Os blocos TaradoNiVocê, em homenagem a Caetano Veloso, Tô de Bowie, com músicas do cantor morto no mês passado, e Agora Vai reuniram adeptos do estilo. Até quem tem barba rala se esforçou.

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Para fixar a purpurina, que deve ficar grudada no máximo de fios possíveis, há até quem recorra à cola em bastão. Outros usam gel de cabelo, filtro solar ou manteiga de cacau, no improviso.

Foi a namorada do psicólogo Pedro Braga, 27, quem teve a ideia, a partir de vídeos na internet. “Não é confortável”, diz ele, com a barba castanha toda roxa, “mas depois de um tempo, a gente esquece.”

“Todo mundo pede para tirar foto comigo”, afirma o estudante Gustavo Migliari, 23. Depois do gel de cabelo, ele salpica purpurina esverdeada de um pote como um saleiro para fazer a intervenção no rosto. “Meu namorado faz em mim e eu faço nele.”

O folião conta ter se inspirado nos “the gay beards” (os barba gay), dois YouTubers americanos que, no fim de 2015, ensinaram como purpurina os pelos –hoje, o vídeo tem 505 mil visualizações.

Primeiro passo: ter barba e a noção de que tudo o que é seu ficará coberto de purpurina. Segundo: gel. Terceiro: recrutar um amigo ou namorado/a para espalhar o glitter na parte inferior de sua face.

Samir Isaac, com barba cheia de glitter, no bloco Agora Vai (Marcus Leoni /Folhapress)

Com o rosto brilhando, o estudante Lucas Gallo, 24, confessa ter ficado chateado quando viu “que era moda hipster”. O lado bom, diz ele, é que as pessoas que beija ficam com as bochechas da cor eleita por ele naquele dia –no caso, prata. “É ótimo para marcar território.”

Entre namorados, rola “uma troca de glitter”, segundo o estudante Wellington Araújo, 21, que começa o dia com a barba vermelha e termina com os pelos dourados. Para ele, assim como para outros foliões, essa estética colorida dispensa qualquer outra fantasia.

Vestido de Fred Flintstone e com a barba azul-brilhante, o fiscal Rafael Coelho, 36, conta ter se inspirado no carnavalesco Clóvis Bornay (1916-2005) –um ícone da extravagância brasileira e possivelmente o precursor da barba purpurinada.