LUIZA FRANCO
DO RIO
Antes mesmo de o Salgueiro entrar na Sapucaí na noite desta segunda (8) já estava claro o que a escola tinha a seu favor: o samba.
A plateia estava com o refrão na ponta da língua. Já na concentração cantava com a bateria antes mesmo da música começar. “É que eu sou malandro batuqueiro / Cria lá do morro do Salgueiro / Se não acredita vem pro meu samba pra ver / O couro vai comer”, cantava o público.
Com um enredo que encenou a ópera dos malandros cariocas, a escola tenta sair do posto de vice que ocupa desde 2014.
O Carnaval da escola do morro da Tijuca falou do “barão das favelas” e retratou diversas versões dessa figura tipicamente carioca. A “Ópera do Malandro” de Chico Buarque foi referência constante. Carros e fantasias representavam obras que inspiraram a peça de Buarque.
A bateria veio vestida de Geni, tendo a atriz Viviane Araújo como rainha da “Furiosa” –nome dado à bateria do Salgueiro. Estreante, a funkeira Ludmilla foi a musa da escola carioca. “Achei maravilhoso, que energia é essa? É a primeira [vez] na Sapucaí e é a primeira de muitas. Minha mãe veio do meu lado. Ela está chorando muito”, disse a MC.
Na plateia, Mônica Alves, 52, vestia a camisa verde e rosa da Mangueira, que seria a última a desfilar, mas cantava o samba e agitava os braços sem parar. “O Salgueiro tem isso, empolga, os componentes cantam, e isso é importantíssimo.”