LUCAS VETTORAZZO
DO RIO
Com enredo em homenagem ao político Miguel Arraes, a Vila Isabel levou temas como educação, justiça, direitos e reformas à avenida, no primeiro desfile desta segunda-feira (8).
O enredo falou do Movimento de Cultura Popular, criado por Arraes e nomes como Paulo Freire no Recife, nos anos 1960. A maioria das alegorias fazia referência a Pernambuco e a cultura sertaneja. A educação, apontada na escola como vetor de transformação, esteve presente em vários momentos.
Guerreiros com elmos e lápis no lugar de lanças desfilaram em um das alas, pouco atrás do terceiro carro. Eles vestiam uma espécie de saia onde se liam as palavras “educa” e liberta.
Presente ao desfile, a filha de Miguel Arraes, Ana Arraes, mãe de Eduardo Campos e ministra do TCU (Tribunal de Contas da União), se disse emocionada com a homenagem. “A família toda está muito satisfeita. É um enredo que fala sobre compromisso com o povo. É preciso mudar por um Brasil mais democrático”, disse ela.
Martinho Vila desfilou com uma fantasia de cangaceiro com as cores azul e branco, da Vila Isabel. Sua filha, Martnália, desfilou na bateria, tocando xequerê, espécie de vaso com contas semelhante a um chocalho.
A madrinha de bateria, Sabrina Sato, contagiou o público, inclusive antes de a escola entrar na avenida. Populares do primeiro setor a saudaram quando ela, cercada por seguranças, acenou e sambou para a multidão, levantando uma espada dourada.
O público cantou o samba quando a bateria, pouco depois de sair do recuo comandou o samba por cerca de um minuto e meio. Nesse momento, os puxadores pararam de cantar e o público entoou o samba sozinho. “Pra fazer / a cartilha do cordel / Ensinar, abraçar / a profissão / Buscar na arte a inspiração”, cantou o Sambódromo.
O público neste segundo dia de desfiles está mais caloroso do que o do primeiro dia.