ISABELA DIAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO
KLEBER NUNES
DE OLINDA (PE)
LEANDRO MACHADO
EMILIO SANT’ANNA
DE SÃO PAULO
Onipresente no noticiário brasileiro e internacional, o mosquito Aedes aegypti tomou parte do espaço de piratas, diabinhos, pierrôs e colombinas e se tornou referência em fantasias e cartazes do Carnaval de rua pelo país.
Nos mais diversos blocos, há foliões travestidos de mosquito (com asas, pernas pretas e bico alongado), de caçadores de aedes e até de mosquiteiros, usados contra a picada do transmissor dos vírus da dengue, chikungunya e zika –doença associada ao recente surto de microcefalia em recém-nascidos.
No Cordão do Boitatá, tradicional bloco que desfilou neste domingo (7) no centro do Rio, a menção ao vírus da zika veio associada a críticas à presidente Dilma (PT), ao senador Aécio Neves (PSDB) e ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Um grupo de foliões fantasiado de latas de spray Baygon empunhava o cartaz: “Inseticidas! Ação total contra: Aécio Aegypt, Dilma Zika e Chikun Cunha”. Para o comerciante Leandro Henrique, 32, que integrava o grupo, “essa é a irreverência do Carnaval”. “Aproveitamos para mostrar nossa insatisfação com a situação atual do país.”

Em Olinda (PE), no Estado que concentra o maior número de casos suspeitos de microcefalia associada à zika, um grupo de amigos criou o bloco Caçadores Olímpicos de Mosquito e levou para as ladeiras da cidade paródias a partir de frevos famosos.
Seus componentes se fantasiaram de tenistas. Cada um segurava uma raquete de matar mosquitos. Era grande a concorrência para tirar fotos com o bloco estreante.
“Em meio a uma crise na saúde pública vemos investimentos públicos para a Olimpíada. Nosso bloco é uma crítica a essa situação”, afirmou o administrador de empresas Flávio Medeiros, 47.
Em São Paulo, a agente de turismo Cintia Campos, 34, improvisou sua fantasia de Aedes aegypti com isopor, arame, uma touca e travesseiros como asas. “O mosquito está na moda. Mas aqui, sambando, a água não fica parada”, brincava ela, durante o bloco Desmanche, que desceu a rua Augusta, no centro.
Em vários blocos paulistanos, agentes com camisetas da Caixa Econômica Federal distribuíram adesivos com informações sobre o vírus da zika e o combate ao mosquito. “Cuidado que no beijo pega [zika]”, gritava uma mulher que distribuía os adesivos.
Um estudo apontou a presença de vírus ativo da zika em amostras de saliva e urina. A possibilidade de contágio não está confirmada, mas o governo pediu cautela.
“Eu tenho medo, mas não beijo qualquer um”, disse a nutricionista Juliana, 22. “Mas, peraí, você me conheceu há cinco minutos!”, protestou seu par deste domingo, o engenheiro Gustavo, 28. “Mas você não tem cara de quem tem zika”, justificou ela.
